Sarcasmo, vamos precisar dar um tempo. Não é você, sou eu.

Eu estudo em um percurso para desenvolver meu estilo parental. Iniciei em 2008, e sempre serei um aprendiz. E seguirei até o último dos meus dias. E dizer que sou aprendiz não é um ticket para poder pedir desculpas automáticas para todas besteiras que fiz e ainda farei sendo pai.

Mas sabe que venho aprendendo a viver algumas situações novas ultimamente. Não que eu saiba passar por elas ainda. Eu me perco. E o caminho vai para um lugar não legal, por estar usando sarcasmo quando eu deveria estar ficando quieto escutando ou achar um modo onde eu consiga ajudar e escutar. Talvez não precise fazer nada.

O que é sarcasmo mesmo?

Ironia cáustica, riso amargo… são definições que aparecem no dicionário. Ironia, para complementar, é quando falamos algo, mas queremos dizer o contrário. Acabamos falando algo para ressaltar o contexto, e nestes casos acabamos indo com algum tipo de comentário corrosivo, ácido. É um tipo de humor, mas precisa ser utilizado com cuidado.

O sarcasmo pode ser usado para transformar algo que incomoda em algo menor, meio como forma de brincar com um assunto. Agora… em muitas vezes o que se cria é confronto e não um conflito. O espaço de abertura se perde e o que sobra ali é pura frustração. Claro, isso ainda se a outra pessoa entender o que acabamos de falar. Talvez ela não entenda nada ou talvez a reação torne um problema pequeno em algo muito maior.

Talvez mais interessante seria silenciar e afastar, tipo deixar o assunto para depois. Falar individualmente talvez, mas quando se vê chegou um sinal que já acionou um gatilho e pronto. Pareço um comediante buscando o tempo das piadas e esperando o barulho da bateria depois (ba-dum-tsss🥁).

Eu funciono muito com sarcasmo e ironia. Costumo adicionar risadas ao final para deixar claro onde estava levando a conversa. No modo escrito evito, pois posso estar trocando textos com pessoas que me conhecem pouco e podem acabar “acreditando” em algo que estou fazendo piada. E aí quando se descobre pode fica pior ainda, pois imagina se elas realmente acreditavam naquilo também, e agora o que era para ser uma troca se transforma em uma pessoa (eu) fazendo piada da outra pessoa.

Eu aprendo sobre meus sentimentos muito quando estou na prática do papel de pai. Diria que é o processo que mais me permite aprendizado e o que mais me gera frustração. Estudando sobre educação e estudando sobre formação de pessoas, e olhando para este estágio, acabo conectando muito destes mundos.

Os projetos que participo se tornam espaços de aprendizado. A vida da minha filha e do meu filho são dos grandes projetos, que operam em um modelo evolucionário. Errei muito e muito já identifiquei falhas e oportunidades de aprender. A distância de 10 anos entre os eventos de paternidade me permitem também ressignificar e testar muita coisa. Pode reagir diferente em determinada situação certamente é algo a ser apreciado. Não que isso resolva o problema criado anteriormente. É simplesmente uma oportunidade de atuar diferente.

Agora… não tenho a chance de fazer isso com a filha mais velha. Nunca me comportei apoiando uma pessoa adolescente no seu crescimento. O aprendizado é online e em tempo real. E não é comparável com outros papéis. Sou irmão mais velho, minha irmã tem sete anos a menos do que eu. Em idade adulta com 20 anos tinha a chance de conviver com uma adolescente de 13 anos. Só que eu era o irmão. O jogo dos papéis muda totalmente o comportamento do jogo. E a experiência de vida também.

Passo por situações em que eu deveria ficar triste, mas acabo me irritando. Acabo puxando o sarcasmo para lidar com a situação, e muitas situações se transformam em confrontos. Em certos testes da vida eu consigo operar com muita paciência, mas encontrei um desafio. Dos grandes.

Seguirei aprendendo e me construindo, uma situação de cada vez.

— Daniel Wildt

Acompanhe minha jornada de conteúdo, participando da comunidade e das entregas no projeto de crowdfunding “A filosofia da tranquilidade”, lá no apoia.se/dwildt.

Extra: Sarcasmo pode ser usado para relaxar, tornar o ambiente mais suave. Tirando isso, diga o que tem que ser dito, e atue para apoiar pessoas. Atue como parte de uma rede de apoio.

Extra 2: O Sarcasmo, se não faz a conversa seguir leve, se torna bulling. Um trabalho de educadores da FOX High School fez essa discussão, considero ela muito real em qualquer ambiente onde deveríamos educar. E tem muito disso no “ser pai”.

Extra 3: A paternidade precisa de presença. Muitas coisas na vida precisam de presença. E presença não significam horas, nem o papo de tempo de qualidade versus quantidade. Presença significa interesse autêntico. O papo de ser pai me lembra de músicas da Kelly Clarkson, Piece By Piece é um bom exemplo. Ser um modelo fala muito sobre como queremos operar. Que modelo de comportamento queremos ter e funcionar com.

Publicado por dwildt

Empreendedor / Desenvolvedor de Software / Mentor / Agilista / Escritor.

One thought on “Sarcasmo, vamos precisar dar um tempo. Não é você, sou eu.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: