O que você vai ser quando crescer? Eu me tornei uma pessoa desenvolvedora de software! Mas… tem um desafio.

No dia das crianças de 2013, eu “terminei” um texto.
Este texto abaixo tem +8 anos de idade.

Faz tempo que eu queria escrever sobre escolha profissional. Faltava sempre o momento, algum fato que me fizesse pensar a respeito. Falar eu falo bastante, sempre que questionado e provocado. E principalmente, motivações para ser um desenvolvedor e estar em operação, e não apenas em um caminho para cargos de gestão.

Só que o texto começou sobre carreira e foi pra um caminho que ainda é muito atual. O da falta de pessoas e de pessoas qualificadas nas equipes. Um problema sistêmico. Já em 2013, ou melhor, algo que acompanhava desde 2010.

Nesta época de 2013 dava pra dizer que eu escrevia bastante, mas não publicava tanto. Tinha e ainda tenho os medos de publicar, mas hoje em dia vai com medo mesmo.

Seguindo Mintzberg, sou uma pessoa desenvolvedora de software que sabe gerenciar. E que ensina outros a fazer o mesmo. Acredito que uma pessoa profissional de tecnologia deve ser capaz de desenvolver um sistema de ponta a ponta. Também acredito que cada um de nós vai escolher papéis para assumir, que desafiam e que fazem valer a pena acordar todos os dias. Papéis (identidades) conectados em algum sistema que nos habilita a sermos quem somos.

Em 2013 já era comum falar sobre a iniciativa code.org. Ainda hoje é uma das referências que trago para quem quer experimentar através de desafios. Vale para quem quer praticar conceitos, vale para quem está pensando sobre o que fazer na vida.

E não é necessariamente passando horas no code.org que a pessoa vai tomar a decisão de se tornar uma pessoa desenvolvedora. É entendendo que ela pode ser capaz de montar algo que gere um impacto positivo como o code.org. Escolha um problema, e perceba como a tecnologia pode gerar valor naquela temática, ou ajudar no alívio de alguma dor. E ainda existe a possibilidade de conectar com educação. Uma pessoa pode se tornar facilitadora de horas de código e outras iniciativas em comunidades que podem apoiar na formação de pessoas desenvolvedoras.

Nesta época, 2013, eu participava de diversas iniciativas e comunidades. Estava apoiando a organização de eventos nacionais ligados com programação e desenvolvimento de projetos e produtos. Tinha a prática de diferentes empresas e seguia mantendo a minha prática de gerir assuntos e a prática de evoluir tecnicamente.

E tinha uma preocupação. A falta de pessoas em tecnologia. E não era de 2013.

A falta de pessoas em tecnologia sempre aconteceu. Em 2010 se falava que em 2013 iríamos ter mais de 200 mil vagas em aberto. O problema só cresceu. Os números mudavam, mas pensar em um mercado sempre com mais de 3000 vagas em aberto deveria ser algo de grande oportunidade para quem chega, mas é algo preocupante para quem vive este mercado.

E só piora.

Significa que alguém sempre vai estar buscando alguém na sua equipe. Que toda semana você vai receber alguma oportunidade. As técnicas de contato serão as mais diversas, e só “evoluem”. Em 2009 nem meus pais tinham o telefone comercial que chegava na minha mesa de trabalho. Era praticamente um número interno. E aí recebo uma chamada telefônica, de uma pessoa da empresa do lado (em um parque tecnológico) perguntando se eu estava interessado em uma oportunidade. Ligação na mesa de trabalho.

Um outro momento parece que as pessoas de seleção vinham da área de venda de cursos de inglês. Era uma prática comum te oferecerem descontos de 30%-40% caso você indicasse outras pessoas para eles poderem oferecer o curso. Já vi equipes inteiras indicarem marcação de dentista na mesma semana, mas no caso era para irem receber ofertas de outros lugares.

Oportunidade, liberdade ou jogo desleal?

O problema não é este.

O problema é o de sempre. Empresas querem de pessoas prontas, mas falam da importância de desenvolver pessoas no mercado, ao tempo que não querem dedicar tempo e energia para formar novas pessoas. Não possuem tempo disponível. O jogo é que a empresa T vai tirar alguém da empresa W, que vai tirar alguém da empresa I, que vai tirar alguém da empresa L, que em seis-nove meses depois vai tirar da empresa D, que vai encontrar alguém na empresa T. E assim o ciclo segue.

Para preparar pessoas, precisamos ter pessoas mais experientes atuando na operação. Estas pessoas também estão em falta. O jogo financeiro faz pessoas buscarem remunerações altas mesmo que o trabalho não seja ideal.

Estas pesquisas (e acredito que muitas hoje ainda fazem isso) sempre colocam a função de pessoa desenvolvedora de software como algo passageiro. Você começa aqui mas depois pode ir para posições de gerente de projetos. Sabe que tem mercados que montam premiações conforme a sua capacidade de ganhar dinheiro? Quantos dígitos você ganha? Só depende de você. Gatilhos mentais. Falta aplicar no mercado de tecnologia. Atualizando: Sou um visionário… faltava. :-/

Tem um problema bom para quem trabalha neste mercado. Estamos em um mundo inflacionado. Dinheiro não é mais problema. Podemos atuar com empresas no USA das 9-18 e achar que estamos ganhando na vida. Algumas pessoas vão tomar consciência de que o mundo avança e fica cada vez mais desigual. Vão se conectar com o presente, e querer cuidar da base. E aprender sobre o que realmente importa para você.

O que sobra agora é a capacidade de escolha. E como estamos desenvolvendo as nossas habilidades. Capacidade e experiência prática na resolução de problemas. Pensamento sistêmico? Inteligência emocional? Fazer perguntas? Escrever?

Uma das coisas mais importantes: não é obrigatório deixar de atuar com programação para evoluir financeiramente. Os salários colocados em matérias sobre carreira parecem dizer: “atue com programação, mas queira deixar de atuar logo, se quiser ganhar dinheiro“!

Uma pessoa pode continuar atuando com desenvolvimento de software e ter outras habilidades, de análise de negócios, arquitetura de sistemas, de teste, e ainda ter como trabalho base ser desenvolvedor de software. Ou qualquer papel existente em um projeto.

Muitas pessoas desenvolvedoras de software vão ganhar mais que pessoas em cargo de gerência. Se foi o tempo onde a pessoa precisava aceitar um cargo de gestão para poder ter reconhecimento financeiro.

Então, foca nas habilidades que você reconhece em você como suas fortalezas.

Fico a disposição para trocar mais ideia sobre o assunto e gerar mais discussões sobre papéis que se pode desempenhar em projetos e empresas x cargos que pode ter. No meu dia a a dia, o mais.dev é a iniciativa onde principalmente me conecto com essa estrutura de sistema.

— Daniel Wildt

Extra: falar sobre code.org conecta com um pensamento: todas pessoas deveriam desenvolver habilidades que podem ser encontradas em desenvolvimento de software. Só que meu ponto é menos sobre a capacidade de algoritmos, mas principalmente com o que chamamos de pensamento computacional. Desenvolver nossa capacidade de abstração, quebra de problemas e reconhecimento de padrões. Estudar programação é uma das atividades que ajudam no desenvolvimento destas habilidades.

Extra 2: a gente costuma ser muito imediatista e código talvez nunca te torne uma pessoa milionária, mas qual é a sua necessidade mesmo? Eu gosto de pensar em código como forma de desenvolver habilidades e ter a possibilidade de resolver problemas usando tecnologia e a capacidade de pensamento sistêmico que pode vir junto nesta jornada. Depende de como você encara a sua prática. Você entrega tarefas ou desenvolve sistemas? Você está focado em desempenhar um cargo ou entender que vivemos de papéis e responsabilidades que assumimos?

Acompanhe minha jornada de conteúdo, participando das entregas do projeto de crowdfunding “A filosofia da tranquilidade”, lá no apoia.se/dwildt.

Publicado por dwildt

Empreendedor / Desenvolvedor de Software / Mentor / Agilista / Escritor.

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