Quando aprendi a ter uma rotina matinal dormindo até tarde

Tem um livro chamado When, do Daniel Pink, que foi importante para eu entender e desafiar alguns conceitos sobre vida noturna ou matinal.

Eu sempre vivi refém do alarme e da função soneca, até metade de 2018. Isso significa +25 anos refém do “só mais 10 minutos”. Sempre pensei que tinha que dormir o mínimo necessário para voltar a produzir. Não dormia nem quantidade, nem com qualidade.

Não foi mentoria, não foi psicóloga, curso, nem o livro, que veio depois das primeiras reflexões.

TL;DR; Paternidade foi quem me ajudou a encontrar este padrão. E descobrir que tenho ciclos de sono de 1h30mins. Isso significa que eu durmo 1h30mins, 3h, 4h30mins, 6h ou 7h30mins. Também descobri que dormir 9h+ não funciono bem. Hoje meu mínimo de sono são 6 horas, mas dentro da linha de acordar quando acordo, sem depender de alarme.

Aprendendo a dormir

O acordar mais cedo me proporcionou um trabalho de mais consciência, mas garantindo qualidade e quantidade de sono. Fiquei muitos anos da minha vida vivendo as madrugadas. Desde meus 17 anos, vivendo faculdade. Era uma forma de ter silêncio com meus livros e arquivos salvos para estudar programação. A partir dos meus 19 anos passei a ter internet no meu quarto, e a possibilidade de ficar acordado e gastar pouco para ficar conectado na internet. Então o contexto me tornou uma pessoa noturna a partir disso. 

Com a paternidade passo a ter uma rotina de presença mais forte em casa. Parei de sair cedo, comecei a dormir cedo (NBA League Pass ajudou em poder assistir os jogos das 20h) e nos finais de semana passei a dormir mais. Durante muitos anos minha rotina era dar aulas nos sábados pela manhã. Sentia agora orgulho de não sair de casa pois tinha que dormir. Conseguia dormir 9h ou mais em alguns dias. E não acordava bem quando passava das 9h de sono. Tentei trabalhar nas madrugadas e ir dormir 3-4 horas da manhã, e depois poderia ficar acompanhando minha mini parceria no sono até meio dia na tranquilidade. 

E nisso comecei a notar que eu tinha um lance das 6h-7h30mins de sono. Era o meu sweet spot na quantidade. 

Eu já tive extremos, de dormir 1h30min por noite. Em 2005 tinha um dia da semana que eu chegava da aula da faculdade pelas 23h30mins, jantava, trabalhava até umas 2h da manhã, dormia até às 5h, pegava um ônibus 6h da manhã, dormia até 7h30mins e depois dormia mais 1h30mins na volta, entre 16h-18h, quando saía correndo da rodoviária para dar aula novamente. E isso me dava um “dia feliz” com 6 horas de sono. Eu achava pelo menos. 😦

Em 2018 que eu conheci o livro When, de Daniel Pink. Ali comecei a questionar mais uma vez momentos de produtividade e organização da energia do meu dia. E comecei a me entender como alguém matinal.

Um novo movimento

Comecei a testar e desafiar o dormir tarde ou acordar cedo olhando pra uma outra questão. Dormir quando tenho sono e acordar quando não tenho mais sono.

Comecei a buscar garantir mais gestão do início da agenda. Sempre que possível iniciava o dia mais tarde, até tentando conjugar com a questão do trânsito, mas o principal era conseguir acordar sem alarme.

A questão do início da agenda também tem relação com o tempo disponível pra fazer minha rotina. Iniciar o dia. Esse entendimento da rotina consegui muito aprendizado com o ano de 2020 quando voltei a ter uma rotina de trabalhar de casa, mas desta vez, diferente da minha jornada entre 2003-2007, eu durmo o suficiente e tenho mais fontes de exercícios e consciência.

Todos estes movimentos tem me ajudado a funcionar com mais calma e tranquilidade. E um senso de liberdade quando penso que posso dormir quando tenho sono. Isso tem relação com o trabalho não simultâneo e acordos claros sobre agendas online / reuniões.

Organizei meus dias com espaços internos como chamo, que são espaços para eu poder cuidar dos meus assuntos.

Rotina e repetição

Eu tenho um lance da certeza e incerteza constante. Incerteza sobre o que vai acontecer nos projetos, mas preciso de certeza sobre o meu tempo disponível para trabalhar e refletir. Pode ser 30mins, não importa, preciso saber. 

Eu hoje (2020-2021) tenho uma rotina matinal que eu gosto bastante, com leituras, escritos, consciência. Pessoas me perguntam se eu não descanso. E na verdade este ato de escrever me descansa. Eu tiro da cabeça pensamentos e organizo ideias. Deixo elas documentadas e esperando um próximo olhar. Agora por exemplo são 9h12mins de domingo, dia 27 de dezembro de 2020. Estou acordado faz 1 hora mais ou menos. Já escrevi, compartilhei postagens nas redes sociais (algumas online, algumas programadas) já escrevi meu journal que causou depois um dos escritos, e agora em seguida vou ler um pouco. Chego na metade da manhã com o dia feito, podendo viver o que vem em seguida baseado no acaso. E garanto umas boas horas em silêncio e sozinho.  

Durmo quando tenho sono, acordo quando dá vontade. E as reuniões? 
Descobri que consigo dormir mais cedo para reuniões cedo no dia. E também consigo marcar reuniões mais tarde, protegendo meu início de dia. 

Mais tranquilidade, menos ansiedade. 

— Daniel Wildt

Extra: o livro When, do Daniel Pink. E uma palestra sobre o livro.

Publicado por dwildt

Empreendedor / Desenvolvedor de Software / Mentor / Agilista / Escritor.

6 opiniões sobre “Quando aprendi a ter uma rotina matinal dormindo até tarde

  1. Muito bom, nos seminarios insights um dos ahas, é sobre as mentiras que contamos ao nosso eu interno e que ele passa a nos sabotar por ele conhece nossas mentiras. Se digo que vou acordar as 6 e toda vez que isso acontece coloco o soneca, meu eu interno começar a entender o comando de que toda vez que digo que vou acordar as 6 na verdade vou acordar as 7 com 6 sonecas em sequencia. São comandos.
    Interessante revisitar, e cuidar da lógica do tempo no sono.

    1. Essa é valiosa! Comandos e padrões que vamos aceitando e quando se vê o eu interno “aprende” a aceitar o que não deveria aceitar. Isso me lembra a reflexão sobre entender nossos limites.

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